

"Quem olha pra você não dá nada, mas você bota pra f...". Creio que esse foi o elogio mais sacana que ouvi na vida e confesso que minha resposta não foi um "muito obrigado".
E nem foi o primeiro desse tipo. Lembro de uma moça que fiscalizava as provas do vestibular e insistia em me incentivar diante da minha nítida insegurança em um dos dias do exame. Ela dizia que eu ia me dar bem porque tinha cara de nerd. Ou seja: usava óculos e tinha cara de abestalhado.
Dias desses, presenciei o diálogo entre duas senhoras aqui perto. Uma delas disse: "Olha ela! Onde estava assim, tão arrumada?". O elogio serviu, na verdade, para dizer que a amiga normalmente só andava esculhambada.
Pensando sobre isso, eu pretensioso, achei que tivesse cunhado um novo termo: o deselogio. Mas, numa busca rápida no Google, vi que a palavra e o conceito são bem antigos e já foram bastante estudados.
Essa necessidade de desqualificar o outro deve ter várias motivações: inveja, competição, difamação disfarçada, baixa autoestima, tentativa de manipulação ou mera escrotidão mesmo.
Eu tinha um problema parecido. Não conseguia elogiar qualquer coisa banal e fui cobrado por colegas e sócios por não ser um "incentivador"da equipe. Mas, aprendi. Com o tempo, porém, acabei me rendendo às regras da hipocrisia que, muitas vezes, sustentam o bom convívio social.
Hoje, qualquer bosta que fizerem e que não me traga prejuízo, eu tô é batendo palmas.