
O assunto está batido, eu sei. Mas nem por isso perde a importância da reflexão. Todo mundo sabe que o vício em apostas está sendo estimulado a cada segundo e conhece as consequências nefastas para os viciados, suas famílias e até para a economia. E aposto que ninguém está nem aí.
Mas uma coisa tem chamado a atenção: no apontamento dos “influencers sem virtudes”, que lucram com a desgraça alheia, muita gente passa um pano enorme para personagens que sempre foram exemplo de ou postura esportiva, ou de jornalismo independente ou que são ídolos de suas torcidas e seguem na mesma barca.
Alguns ex-jogadores consagrados chegam a emprestar o próprio nome às casas de apostas que representam. É algo como "Bet do Zeca", "Bet do Tico" e por aí vai.
Além dos jogadores, jornalistas seríssimos, daqueles meio carrancudos na defesa de suas convicções, surgem em suas lives usando bonés e casacos estampados com logos de bets, sem aparentar qualquer constrangimento. Ilegalidade não há.
Esses que estão passando incólumes ao "julgamento", de certa forma, também não acabam legitimando todo esse mercado? Vou deixar de segui-los ou de admirá-los? Acho que não. Mas que isso causa um choque inicial, causa. Depois, a gente se acostuma. E talvez seja justamente aí que esteja o problema.
O contexto, porém, não me deixa parar de refletir e de comparar essa escolha com a de tantos outros que optaram por caminhos diferentes. Entretanto, cada um conhece a própria realidade. E quando as contas chegam, eu não vou estar lá para ajudar a pagá-las.
Sempre me lembro do fim de vida nada confortável de tantos craques esquecidos que, em seus tempos áureos, encantaram gerações. Jornalistas e blogueiros, então, nem se fala. Nem é preciso esperar o fim da vida para conhecer a falência.
Se tiver alguma bet por aí distribuindo uma verba generosa, me avise.
Farinha pouca, meu pirão primeiro.